122 mortos e um fracasso retumbante: gostou, dona Gleisi?

Cento e vinte e duas pessoas foram mortas pelas forças de segurança da Venezuela desde que Nicolás Maduro convocou, há três meses, a “eleição” para a “Constituinte popular”, que formalizaria de vez a ditadura que impôs gradualmente desde que assumiu o poder, três anos atrás. A contabilidade tende a crescer, pois a repressão não cessa – agora à noite entraram em cena os tresloucados colectivos, matadores a serviço do regime.

(Eleição está entre aspas porque somente apoiadores do regime se apresentaram.)

Sua convocação atropelou a Constituição, que dá esse direito exclusivamente à Assembleia Nacional, dominada pela oposição – aliás, o único órgão do qual o tirano perdeu o controle e que, por isso, decidiu silenciá-la de vez com a Constituinte.

A aberração de sua atitude foi tão escandalosa, que até a procuradora-geral (a Rodrigo Janot de lá), Luisa Ortega, uma chavista convicta, insurgiu-se contra Maduro. E por isso teve o passaporte e os bens confiscados, está proibida de deixar o país, responde a processo – e seria fatalmente demitida se a Constituinte fosse instalada.

Mas como essa aberração poderá ser instalada se hoje, o Dia D de Maduro – duas semanas depois que 7,5 milhões, ou 40% dos eleitores, participaram de um plebiscito informal, 98% rejeitando a Constituinte –, meros 15% foram às urnas?

O fracasso é retumbante, demolidor, vergonhoso, acachapante, um autêntico cartão vermelho para convencer Maduro a pedir refúgio a Cuba, seu único patrocinador. Ainda mais que os funcionários públicos, que são 4,5 milhões (número maior que os votantes de hoje), foram ameaçados de perder o emprego se não comparecessem e não se fizessem acompanhar de familiares, amigos e subordinados!

(O centro de votação que reuniu maior número de eleitores foi o Poliedro, em Caracas, onde, “coincidentemente”, os eleitores eram agraciados com cestas básicas de alimentação…)

Sim, Cuba é o único patrocinador deste regime despótico e agonizante, que teve a sentença de morte selada pelo fracasso de hoje. Mas, no Brasil, a “presidenta” do PT Gleisi Hoffmann (alcunha “Amante”) e seu partido corrompido pelo poder manifestaram, há duas semanas, “total apoio ao companheiro Maduro” e à Constituinte que “consolidará as conquistas da revolução bolivariana”. Conquistas que foram: repressão, censura, crise econômica brutal, empobrecimento idem da população, falta crônica de produtos básicos e medicamentos…

Como se sentirá a dona Gleisi, cúmplice de um fracasso estrondoso e à custa de (por enquanto) 122 vidas?

Com base em seu handicap, profetizo: amanhã ela dirá, dedo erguido, narizinho em riste e do alto de seus sapatinhos Prada – e com sua bolsa Louis Vuitton a tiracolo -, que a “direita reacionária” impôs-se “pela violência” à “democracia pacifista” de Maduro.

 

Via http://www.josepedriali.com.br/2017/07/122-mortos-e-um-fracasso-retumbante.html