Cabral pagava MESADAS de até R$ 100 mil a seus pais, à ex-mulher e aos irmãos

O operador Carlos Miranda, pessoa mais próxima do ex-governador Sérgio Cabral a fazer delação premiada, disse nesta segunda-feira que Sérgio Cabral (PMDB) repassava uma mesada de R$ 100 mil mensais para a ex-mulher Susana Neves. Miranda prestou depoimento ao juiz Marcelo Bretas. De acordo com Miranda, o valor era menor no início e pago desde a época em que Cabral era senador. Ao longo do tempo chegou a R$ 100 mil. “Antes era menos” — disse: “O Sérgio Cabral combinou com a Susana de mandar um valor mensal de R$ 100 mil. Era uma mesada, uma ajuda financeira”.

Segundo Miranda, Susana não sabia que a origem do dinheiro era propina. De acordo com ele, às vezes, Susana recebia um 13º ou 14º no fim do ano. Quando as despesas pessoais dela eram pagas, o valor era descontado da mesada.

IRMÃ E PAIS – O operador relatou ainda que uma mesada de R$ 25 mil mensais era repassada à irmã de Cabral e R$ 100 mil aos pais. Cabral e Susana têm três filhos juntos, o mais velho deles é o deputado federal Marco Antonio Cabral (PMDB). Como ele tem foro privilegiado, Bretas não perguntou sobre ele, mas sobre os outros dois filhos. O operador disse que eram repassados R$ 10 mil para os gastos do segundo mais velho e R$ 5 mil para os o mais novo.

Neste processo são réus Miranda, Cabral, Susana Neves, Maurício Cabral e o empresário Flávio Werneck, todos acusados de lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o esquema denunciado funcionava da seguinte maneira: em troca de favorecimentos à FW Engenharia em contratos com o governo estadual — a empreiteira viu aumentar em 37 vezes o volume destes contratos na gestão Cabral —, Flávio Werneck fazia pagamentos de propina ao esquema do ex-governador. Foram identificados R$ 1,7 milhão em propina.

SURVEY MAR – Os pagamentos eram realizados pela Survey Mar e Serviços Ltda. Para os procuradores, a empresa era controlada também por Flávio Werneck. Em alguns casos, os pagamentos ao esquema eram feitos a empresas de fachada. Uma delas, a Araras Empreendimentos, pertence a Susana Neves, ex-mulher de Cabral. Entre 2011 e 2013, foram identificados 31 depósitos à Araras, num total de R$ 1,2 milhão. Susana é funcionária da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde ganha um salário de R$ 15 mil.

 

Outra empresa que, segundo o MPF, recebeu da Survey foi a Estalo Comunicação, de propriedade de Maurício Cabral, irmão do ex-governador. O cheque de R$ 240 mil foi depositado no dia 24 de novembro de 2011.

Carlos Miranda, apontado como operador do esquema de Cabral, também é um dos denunciados, e sua LRG Agropecuária recebeu quatro depósitos da Survey

 

Fonte: www.noticiasbrasilonline.com.br