Colocar Moro contra o STF pode ser estratégia de Zanin

O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, enviou, nesta terça-feira (28), um pedido ao juiz federal Sérgio Moro. Conforme informações da revista Veja, Zanin pediu a Moro que os depoimentos dos ex-executivos da Odebrecht sejam enviados para a justiça Federal de Brasília. Zanin reitera que o Supremo Tribunal Federal (STF) já se decidiu sobre isso e Moro seria obrigado a cumprir. O que dá pra perceber, segundo a matéria, é que Zanin tenta por Moro contra o STF.

O advogado do condenado citou que a Segunda Turma do STF reconheceu que todos os depoimentos que envolvem supostas vantagens ilícitas para o Instituto Lula não devem ficar em Curitiba.

Ainda segundo o advogado, nada prova que essas supostas vantagens irregulares na construção do Instituto foram provenientes de propina vinda da Petrobras. Dessa forma, Zanin declara que o caso não pode configurar na Vara de Curitiba.

Moro contra o STF
No final do documento, como uma forma de pôr Moro contra o STF, Zanin pediu que a remessa dos autos processuais seja feita de forma imediata. Com suposta ironia, ele disse que se isso não acontecer, Moro poderia estar desafiando os ministros da Corte. Jogar Moro contra o STF pode ser a estratégia do advogado.

Dias Toffoli
Além de ser pressionado por Zanin, Moro também recebeu recados indiretos do ministro do STF, Dias Toffoli. Segundo o ministro, o juiz da Lava Jato deve explicações mais concretas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a confusão jurídica ocorrida no dia 08 de julho.

Naquele dia, o desembargador do TRF-4, Rogério Favreto, havia ordenado que a PF soltasse Lula. Entretanto, o diretor-geral da PF, Rogério Galloro, pediu uma manifestação de Moro. O juiz entrou em ação e impediu que isso acontecesse acionando o relator João Gebran Neto. Favreto tentou outras duas vezes tentar soltar Lula, até que o presidente do TRF-4, Carlos Thompson Flores, encerrou a confusão e não permitiu que o petista saísse da cadeia.

Dias Toffoli quer que Moro explique a sua conduta. Vale ressaltar que, em setembro, Toffoli comandará o CNJ. O ministro naõ teria gostado da forma de Moro agir.

Defesa do juiz
Sérgio Moro chegou enviar a sua defesa sobre esse caso ao CNJ. Ele disse que soltar Lula poderia causar uma situação de risco, já que o petista causou resistência em sua primeira prisão. O juiz falou em situação de emergência que teve que tomar. Para Moro, Favreto não tinha competência para soltar o ex-presidente.

De suma, Moro afirmou que agiu em suas férias pois isso é algo permitido pelos tribunais superiores. Moro também afirmou que não estava em outro país, conforme foi divulgado por alguns políticos. Ele estava em Curitiba e tomou a decisão de lá.

Fonte: REVISTA VEJA E BRASIL NO ATO

   

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