De olho em 2018, Ciro Gomes ataca Moro e a Lava Jato e bajula Lula de forma servil. Sonha ser o candidato apoiado pelo PT

O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes entrou para valer no jogo eleitoral de 2018. Publicamente, ele reconhece o capital político de Lula e diz que é provável que o petista volte a concorrer. Defende o ex-presidente e ataca Sérgio Moro, a quem, num delírio cangaceiro chegou a ameaçar “receber a bala”. O discurso de Ciro, entretanto, é construído de forma a mostrar que ele é a melhor opção do campo da esquerda para a disputa do ano que vem.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada na segunda-feira (27), Ciro Gomes disse: “Não tenho a menor vontade de ser candidato se o Lula for”. Não só pelos votos garantidos que o petista tem, mas pela polarização na disputa eleitoral. Segundo o ex-ministro, a candidatura de Lula, que ganhou força nas últimas pesquisas eleitorais, seria um “desserviço” ao país.

Ciro Gomes, que está de fora das disputas presidenciais desde 2002, quer voltar ao jogo como um dos protagonistas. Diz que Marina Silva, a única candidata que aparece com chances de derrotar Lula nas pesquisas, hostiliza o agronegócio e setores extrativistas com uma força que a mostra descolada da realidade brasileira. Sobre o prefeito de São Paulo, João Doria, diz que é um “farsante”. Avalia que Jair Bolsonaro atrai uma parcela do eleitorado de direita, e que isso é até bom, “pois esse eleitorado do antipetismo se concentrava todo no PSDB”.

As chances de Ciro Gomes porém, dependem do futuro eleitoral de Lula. Depois dos resultados das urnas em 2016, o petista parecia aniquilado eleitoralmente, e Ciro lançou a ideia de uma frente ampla com seu nome como cabeça de chapa. Mas o descontentamento de setores da sociedade com o governo de Michel Temer, a morte de Marisa Letícia e os desdobramentos da Operação Lava Jato, que indicam uma lista pluripartidária de políticos favorecidos pela Odebrecht, deram sobrevida ao petista.

Sem Lula no páreo, Ciro teria mais espaço no Nordeste, seu reduto eleitoral. Na eleição de 2002, faltou pouco para empatar com José Serra (PSDB) nessa região: o tucano fez 19,8% dos votos, e Ciro, 18,7%. Ele também seria uma voz forte contra a reforma da Previdência e a flexibilização das leis trabalhistas promovidas por Temer, bandeiras fortes de seu atual partido, o PDT.

Ciro foi ministro da Integração Nacional no governo Lula e um dos responsáveis pelo início da obra de transposição do Rio São Francisco. Construiu uma forte relação e o defendeu várias vezes durante a Operação Lava Jato. Depois da condução coercitiva de Lula, chegou a defender o “sequestro” do ex-presidente para que fosse levado a uma embaixada para pedir asilo político. Pela sua lealdade, foi lembrado pelo ex-ministro Gilberto Carvalho como “plano B” do PT caso Lula não possa concorrer em 2018 – o que desagradou a Lula, que prefere lançar um nome do próprio partido, como Fernando Haddad, para manter acesa a chama da militância petista.

Ciro já passou por vários partidos: PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS (rapidamente) e, finalmente o PDT. Nas pesquisas recentes de intenção de voto, Ciro aparece com 6% no melhor dos cenários. Mas com uma vantagem sobre os demais: entre os nomes mais conhecidos, é um dos menos rejeitados, o que indica que pode crescer em votos.

Também pode passar ileso ao terremoto da lista da Odebrecht. A última eleição que disputou foi em 2006, para deputado federal, e entre seus doadores não consta empresa envolvida na Lava Jato, pelo menos até agora. Mas ele não abre guerra contra as empresas e nem condena o financiamento empresarial. O presidente do PDT, Carlos Lupi, já anunciou que procura um empresário para ser vice de Ciro em 2018.

A truculência nos gestos e nas palavras é vista por muitos como defeito de Ciro, mas, em entrevista à Folha, ele falou que em época de crise política a franqueza o ajuda. “Nunca tive tanta audiência nessa vida”.

Créditos cesarweis