Deltan Dallagnol critica ‘panelinha’ da Corte e irrita Dias Toffoli

O procurador da República e coordenador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, criticou uma suposta “panelinha” da Segunda Turma da Corte que tem o intuito, segundo ele, de enfraquecer as investigações da Lava Jato. O procurador não concordou com a decisão dos ministros de retirar de Curitiba trechos de depoimentos de ex-executivos da Odebrecht. Esses delações citam o ex-ministro Guido Mantega e o envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dias Toffoli não gostou da conduta de Dallagnol e pediu a abertura de uma investigação contra ele.

O procurador terá que dar explicações a dois órgãos disciplinares. Os órgãos são: a corregedoria do Ministério Público Federal (MPF) e a corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público Federal (CNMP).

Na quarta-feira (15), o procurador da força-tarefa de Curitiba deu uma entrevista à rádio CBN e mostrou irritação com a decisão dos três ministros. De acordo com Deltan Dallagnol, eles passam uma mensagem forte de leniência a favor da corrupção e formam uma “panelinha” contra a Lava Jato, declarou.

A trinca da Corte citada por Dallagnol são: Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.

Investigação aberta
O ministro Dias Toffoli não gostou das insinuações do procurador e decidiu agir.

Ele procurou Orlando Rochadel, corregedor-geral do CNMP, e pediu a abertura de uma investigação para que o procurador seja punido. Segundo Rochadel, a reclamação foi instaurada e, primeiramente, será analisado se houve algum indício de infração de Dallagnol. Explicações serão pedidas e só depois pode ser aberto um procedimento administrativo disciplinar contra ele.

Lava Jato
A Lava Jato tem sido sempre atacada por vários ministros que não concordam com as ações de Sérgio Moro. Esses três, em particular, trabalham para que seja mudado o entendimento do STF sobre a prisão após a condenação em segunda instância. Na concepção deles, um réu só pode ser preso após se esgotarem todos os recursos existentes. Cármen Lúcia foi quem mostrou resistência impediu que isso acontecesse. Entretanto, com a entrada, em setembro, de Dias Toffoli no comando da Casa, tudo pode mudar.

Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO e Brasil no Ato

     

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