Gilmar Mendes sabotou as leis e as eleições de 2018, diz jurista

O jurista Modesto Carvalhosa falou, em entrevista ao Estadão, sobre a reintrodução do voto impresso nas eleições de outubro deste ano.

Ele disse que o Brasil é o único país do mundo em que a apuração é secreta. “Três ou quatro funcionários do TSE dão apuração do voto sem nenhuma fiscalização, quando que o princípio democrático fundamental é que a apuração tem que ser pública”, defende.
A PGR raquel Dodge entrou com uma ação no STF contra a implantação do voto impresso. Para ela, a impressão “caminha na contramão da proteção da garantia do anonimato do voto e significa verdadeiro retrocesso”.

Sobre isso, Carvalhosa afirma que Dodge está “mentindo deslavadamente” ao dizer que o voto impresso acaba com o sigilo do voto. “Nas vésperas da eleição, querem que a lei seja considerada inconstitucional porque ela revela o voto dado, que é uma mentira deslavada. Não é digno de uma procuradora-geral da República dizer uma bobagem dessa.”

Carvalhosa também criticou a medida aprovada pelo TSE sobre a implementação parcial do voto impresso nestas eleições. Segundo resolução da corte, apenas 5% das urnas vão conter a impressora acoplada. Ele acusa o ministro Gilmar Mendes de ter “sabotado o que foi possível” nestes dois anos para não colocar em prática a lei de 2015. “E agora, conspirando junto com a Raquel Dodge, vem dizer que não cabe o voto e que se fizer o voto impresso é em apenas 5% das urnas. É como se alguém dissesse que só vai pagar 5% do Imposto de Renda que deve para governo. Ou se cumpre 100%, ou não cumpre.”

Via: PAPOTV