Gleisi estará hoje no banco dos réus pela primeira vez

ELA E PAULO BERNARDO PODEM RECORRER AO DIREITO DE PERMANECEREM EM SILÊNCIO, MAS DEFESA DIZ QUE VÃO FALAR

A presidente do partido e senadora Gleisi Hoffman (PR) vai sentar no banco dos réus no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (28). Será é a primeira vez, após mais de três anos do início da Operação Lava Jato, que um parlamentar será interrogado pelo Supremo. Gleisi e o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, se tornaram réus na Operação Lava Jato em setembro do ano passado, após decisão unânime da Segunda Turma do STF. Bernardo também deverá ser ouvido no STF hoje.

“Considero que as declarações em colaboração premiada seriam suficientes para juízo de recebimento da denúncia. Aqui há elementos que vão muito além das declarações prestadas em colaboração premiada, de modo que considero preenchidos os requisitos para o recebimento da denúncia e voto nesse sentido”, disse o ministro Teori Zavaski na época.

Gleisi pode recorrer ao direito de permanecer em silêncio, mas terá que comparecer pessoalmente ao depoimento, em Brasília. A defesa do casal garante que todas as perguntas serão respondidas, já que “não há nada a esconder”. Os dois negam as denúncias.

 

Investigação

Gleisi se tornou a primeira senadora com mandato atualmente alvo de uma ação penal por suposto esquema de corrupção na Petrobrás. Desde março de 2015, Gleisi e Bernardo são investigados por suposto recebimento de R$ 1 milhão de propina de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobras.

As investigações apontam que o dinheiro foi usado para custear parte da campanha eleitoral da petista em 2010. Eles negam a acusação. Em abril, a Polícia Federal encaminhou indiciamento de Gleisi ao Supremo.

Durante o julgamento, o subprocurador-geral da República Paulo Gustavo Gonet destacou que a senadora e Paulo Bernardo tinham “plena ciência” do esquema criminoso instalado na Petrobras e da “origem espúria dos recursos que receberam”.

“A denúncia descreve fatos. A denúncia é rica em pormenores, está confortada em elementos de convicção suficientes para que a denúncia seja recebida”, disse Gonet. “Os denunciados tinham plena ciência do esquema criminoso e da origem espúria dos recursos que receberam”, ressaltou.

De acordo com o subprocurador-geral da República, o engenheiro e ex-diretor de Abastecimento da petroleira Paulo Roberto Costa esperava colher apoio de Gleisi e Bernardo “para permanecer nas suas funções” na empresa. “(Costa) Confiava na importância do casal dentro do partido que governava o País; ele, ministro de Estado e ela, provável senadora”, afirmou o subprocurador-geral da República.

Subsídio

Para o ministro Celso de Mello, as informações colhidas em delações premiadas podem subsidiar a ação do Ministério Público. As defesas de Gleisi e Paulo Bernardo alegaram que a Procuradoria-Geral da República se baseou exclusivamente nas delações premiadas de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef para apresentar a denúncia.

“Se é certo que o depoimento do agente colaborador somente ele não pode servir de suporte a qualquer condenação penal, trata-se, na verdade, de uma clara restrição legal, mas de outro lado nada impede que as declarações emanadas de agentes colaboradores possam subsidiar a ação do Ministério Público. Como bem destacou o ministro Teori Zavascki, há outros elementos que autorizam nessa fase inaugural do processo penal o recebimento integral da denúncia contra os acusados”, ressaltou Celso de Mello.

Reta final

Após essa etapa, a ação penal entra na reta final e o julgamento dos petistas poderá ocorrer ainda neste ano, quando a Segunda Turma do STF decidirá pela condenação ou absolvição dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Um desfecho desfavorável à congressista terá implicações diretas em seu futuro político, como a inelegibilidade, sendo que seu mandato acaba no início de 2019.

FONTE: BANDA B e HORA EXTRA