PF revela que ‘mudas de café’ e ‘garrafas de vinho’ eram códigos de propina

Investigações da Operação Registro Espúrio, da Polícia Federal, se referiam a pagamentos de propinas, em se tratando de corrupção em ministério.

A Polícia Federal se desdobrou em uma investigação minuciosa, através da descoberta de vários áudios, baseados em comunicações interceptadas em que as pessoas investigadas estariam envolvidas em pagamentos de propinas no Ministério do Trabalho. As investigações da Polícia Federal fazem parte da “Operação Registro Espúrio” que indica a ocorrência de fraudes em uma das instâncias do Governo, nesse caso, o ministério supracitado.

Algumas das mensagens cifradas que se tornaram alvos de investigação por parte dos agentes federais, se referem a mensagens trocadas no período do mês de março do ano passado. Nessas mensagens desvendadas pela PF, o coordenador-geral de Registro Sindical do Ministério do Trabalho, Renato Araújo, estaria em negociação com o advogado Carlos Artur Barboza.

O mesmo foi secretário-adjunto de Relações do Trabalho até meados do ano de 2015.

Códigos de propinas
De acordo com as investigações da Polícia Federal, os envolvidos no mega esquema de distribuição e pagamento de propinas estariam se comunicando reservadamente por meio de códigos cifrados. Essas mensagens teriam se referido a itens alimentícios do cotidiano das pessoas, como “mudas de café” e “garrafas de vinho”. Segundo as mensagens decifradas pela Polícia Federal, Renato Araújo, que é coordenador-geral do Registro Sindical do Ministério do Trabalho, teria negociado um suborno de aproximadamente R$ 300 mil com o advogado Carlos Artur Barboza, de modo que pudesse concretizar uma espécie de favorecimento a uma entidade sindical.

Segundo o diálogo desvendado pelos investigadores, Renato Araújo afirma que “teria que passar 300 mudas de café”.

Passados dois meses em relação aos áudios captados, uma nova gravação vem à tona, quando Barboza questiona se haveria novidades relacionadas em se tratando de uma entidade sindical. Barbosa teria afirmado que teria em mãos “2.5 garrafas do bom vinho do Porto”.

As investigações da Polícia Federal se aprofundaram por meio da Operação Registro Espúrio, em se tratando de um mega esquema de pagamentos de propinas em espécie, de modo que possibilitasse na ocorrência de apoio político a deputados federais, em troca de concessão de registros relacionados ao meio sindical. O ministro relator do caso na mais alta instância do Poder Judiciário, Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a decretação de prisão de 23 pessoas, além de mandados de busca e apreensão em endereços de parlamentares.

Já o Ministério do Trabalho divulgou nota afirmando que estaria acompanhando as investigações da Polícia Federal e que irá aguardar, de modo sereno, todas as investigações inerentes ao caso, inclusive com as respectivas conclusões, sem que isso venha gerar “prejuízo à nobre missão da Secretaria de Relações de Trabalho e seu consequente papel relevante de caráter social”.

 

Via: blastingnews

     

Gostou? Compartilhe!

  • 2.4K
    Shares